Ir pela primeira vez ao São Paulo Coffee Festival foi como mergulhar em um universo paralelo, onde cada detalhe gira em torno de aromas, sabores e histórias que nascem no grão do café. Dois dias intensos que me fizeram não só provar bebidas incríveis, mas também refletir sobre a grandiosidade desse setor e as pontes que ele cria com outras culturas, como a do chá, que já faz parte da minha vida e do meu trabalho.
Antes mesmo de entrar, eu já estava ansiosa. Sabia que encontraria muitas novidades, mas não imaginava que sairia de lá tão impactada — não só pelo café, mas também pela forma como o evento une pessoas, marcas e culturas em torno de uma bebida que é, sem dúvida, uma das mais importantes para a identidade brasileira.
Café especial e chá: um encontro de mundos
A entrada do café especial na minha vida foi um divisor de águas. Ele não só mudou a forma como saboreio a bebida, mas também me ajudou a lapidar minha percepção sensorial no universo do chá. E foi justamente essa intersecção que me deixou tão empolgada ao caminhar pelos corredores do festival.
Fiquei encantada em ver os lançamentos da Infusiva, e ainda mais surpresa com a presença marcante do matcha — conduzida com perfeição pela Namu Matcha, que trouxe combinações apaixonantes, como matcha com caldo de cana, além do já icônico coconut matcha no stand da Hey Nude. Ver o matcha ocupar esse espaço, em meio a tantos cafés, foi como um abraço: uma prova de que o chá também pode dialogar com grandes eventos.
Reencontros e memórias
O festival também foi palco de reencontros que aqueceram meu coração. Entre os stands, revi antigas clientes da Capins, parceiros e amigos que acompanharam minha jornada empreendendo no varejo. Essas trocas me lembraram o quanto o chá e o café têm em comum: mais do que bebidas, são pontes que conectam pessoas e histórias.
Experiências sensoriais inesquecíveis
E como resistir à infinidade de sabores? Entre tantas provas, alguns momentos se destacaram:
- O capuccino de missô no stand da Naveia foi, sem exagero, um dos grandes pontos altos. A ousadia da combinação entre o salgado do missô e a cremosidade do leite vegetal, contrastando com o amargor do café, criou uma experiência única.
- O preparo no estilo árabe, feito na areia quente no stand da Santa Monica, foi outro espetáculo. Assistir o café sendo lentamente aquecido na areia e depois provar aquele sabor forte e aromático me transportou diretamente para tradições de outros povos.
- No stand da Orfeu Cafés, além de experimentar diferentes variações e levar alguns para casa, tive a oportunidade de assistir à incrível Gi Coutinho (@puracaffeina), que apresentou uma demonstração de cupping. Ela mostrou com clareza como se avalia um café especial, do aroma inicial até as notas mais complexas que surgem na boca. Foi aprendizado e prazer em uma única experiência.
Café, ancestralidade e resistência
Um dos momentos mais emocionantes foi acompanhar o painel da Três Corações, que apresentou o Café Tribos, produzido pela comunidade indígena Paiter Suruí. Ali, tive a honra de ver e ouvir a primeira barista indígena do Brasil, Celesty Suruí, compartilhando sua história e ampliando a voz de uma comunidade que planta e colhe café lado a lado com saberes ancestrais. Essa experiência foi muito além do café: foi um mergulho em identidade, ancestralidade e resistência.
Inspirações e olhares para o futuro
Entre cafés, risadas e abraços, também tive a alegria de reencontrar a querida @puracaffeina, referência absoluta e inspiração para tantos apaixonados pelo café. O trabalho dela me fez lembrar que, assim como no chá, a paixão se transforma em propósito e ganha força quando compartilhada com o mundo.
Saí do festival não apenas com sacolas cheias de cafés e lembranças, mas com a certeza de que o Brasil realmente é referência mundial quando o assunto é café. E também com um desejo: que o universo do chá, através de eventos como a Semana do Chá, um dia alcance essa mesma força e visibilidade.
O São Paulo Coffee Festival foi intenso, delicioso e transformador. E já deixo aqui registrado: ano que vem estarei de volta, com a xícara pronta para novas descobertas.


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