Bancha: O chá dos restaurantes japoneses e chineses.

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3–5 minutos

Ontem fui a um rodízio japonês fora de São Paulo e, quase no final do combinadinho de sushis, bateu aquela vontade de tomar bancha. No restaurante, o chá estava no cardápio… Vendido em bule ou em xícara, diferente de alguns lugares, onde ele aparece na cortesia da casa.

Pedi o bule, e quando chegou, infelizmente estava impossível de beber! (Esse é aquele momento que eu SUPER entendo, quem detesta chá! hahaha). Ao colocar na xícara, logo percebi a coloração e o aroma extremamente forte… Não tinha dúvida que o sabor seria amargo. Como apreciadora de chá, a primeira reação foi abrir a tampa do bule para olhar o que estava sendo servido. Chocada mas não surpresa, de cara aqueles dois probleminhas clássicos, que inclusive podem ser o que estão atrapalhando a sua apreciação do chá aí do outro lado: Além da erva ter ido pra mesa dentro do bule, notoriamente tempo demais em infusão, a quantidade de folhas era exagerada pelo tanto de água que o bule comportava (no maximo de 350 ml).

O ideal seria refazer todo o processo, mas além do restaurante não estar preparado para esse tipo de serviço… As pessoas com quem eu estava já queriam ir embora, precisava ser rápida. Foi aí que pedi um bule de água quente, infusionei novamente o mesmo bancha por uns 45 segundos, e pronto: consegui toma-lo de forma OK, limpar o paladar como queria e dar aquele reforço para a digestão.

São nesses momentos que penso, o quanto saber sobre chás e seus preparos (mesmo que pouco em algumas circunstâncias), pode nos livrar de enrascadas e/ou aprimorar nossas experiencias em qualquer lugar! Além disso, me veio à mente, contar um pouco sobre a cultura do Bancha, especificamente em restaurantes de comida japonesa e chinesa…

Vocês sabem por que geralmente servem ele? Bom é sobre isso o nosso post de hoje!

Bancha: O chá do dia a dia

O bancha é considerado o “chá do cotidiano” no Japão. Feito com folhas mais maduras da Camellia Sinensis, ele tem menos cafeína, sabor mais suave (com toque terroso) e não rouba o protagonismo da comida. É justamente por isso que funciona tão bem durante ou depois das refeições: acompanha sem atrapalhar e pode ser consumido em grandes quantidades sem causar insônia ou agitação.

Hospitalidade e tradição

No Japão e na China, oferecer chá é um gesto de respeito e acolhimento. Por isso, em muitos restaurantes, o bancha aparece logo no início, como símbolo de boas-vindas. Aqui no Brasil, a cena pode variar: em alguns lugares o chá vem direto da cozinha, em outros fica disponível em mesinhas para autoatendimento, e às vezes é servido no final, como forma de ajudar na digestão.

De um jeito ou de outro, o recado é o mesmo: o cliente está sendo cuidado.

A digestão agradece

O bancha, tem ação digestiva. Seus taninos ajudam a “limpar” a boca de resíduos de gordura e temperos mais intensos, equilibrando o paladar para a próxima “garfada”.
Isso faz ainda mais sentido quando pensamos que, apesar da fama de leveza, a culinária japonesa e chinesa é repleta de molhos densos (shoyu, missô, ostras), frituras (tempurá, guioza), além de técnicas como flambar, defumar e maçaricar. São pratos cheios de umami e camadas de sabor… E é justamente aí que o chá entra como aliado: aquece o estômago, facilitando a digestão e traz uma sensação de frescor, criando contraste e harmonia durante a refeição..

Não à toa, muitos restaurantes brasileiros oferecem o chá no final da refeição. É quase como uma “sobremesa funcional”: sem açúcar, sem peso, mas cheia de benefícios.

Praticidade para os restaurantes

Além de cultural, a escolha do bancha também é prática. Ele é mais acessível que outros chás de colheita especial, como sencha ou gyokuro. Isso permite que os restaurantes ofereçam uma bebida de qualidade sem encarecer o serviço. Em grandes quantidades, é fácil de preparar, armazenar em garrafas térmicas e disponibilizar aos clientes.

Um substituto saudável

Enquanto no Ocidente é comum acompanhar refeições com refrigerantes ou álcool, nos restaurantes orientais o chá ocupa esse espaço com muito mais leveza. Ele hidrata, auxilia a digestão e reforça o equilíbrio associado à culinária japonesa e chinesa.

Uma xícara que conta histórias

Da próxima vez que você se deparar com um bule de bancha na mesa, seja oferecido de cortesia, para se servir sozinho ou até vendido no cardápio lembre-se: Não é apenas uma bebida qualquer. É tradição, é saúde, é hospitalidade.

E, acima de tudo, é um daqueles pequenos rituais que transformam a refeição em experiência.

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*Todas as imagens deste post foram selecionadas de bancos gratuitos.